terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Monólogo 3

A realidade fria entrou nos meus olhos nesta manhã, como lâmina saltitante nos pés do cão que cruzava a esquina. O chão é sujo de poeira lourda misturada com a neve. Realidade que passa capturada pela tua presença. Nos teus ombros largos o rastro de um horizonte efêmero. As rodas velozes dos carros nos raios de sol. Eu acordei nesta manhã entre sonho e instantes iluminados. Quero guardar essa flecha, porque a realidade se apaga num piscar de olhos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

monologue 2

O sol pálido no inverno
o branco que cobre tudo
eu agora sei por que a morte pode ser branca
não é morte
por que é que isso importa tanto, a morte?
ela é inebriável
é preciso aceitar a morte.
é preciso aceitar a vida.
tudo isso parece tão cliché.
e é.
eu me recurvo para escrever essas linhas.
a luta para modificar a minha posição no espaço e desenhar linhas, tocar teclas, transformar sons em imagens.
signos, que carregam consigo signos, símbolos, mitos, histórias sem fim, possibilidades de leitura.
o medo que de tudo vai desaparecer.
o medo de que a vida engole e possa destruir o que ela própria cria.
o medo de perder o controle e o senso da realidade.
e eu continuo a mergulhar no abismo, mudando a direção do sangue nas minhas veias.
a cabeça sempre flutua, serpenteando suavemente no fim da coluna cervical.
o que esta em cima é como o que esta em baixo.
estalo os dedos, meus ossos vibram.
estou viva, meu amor, estou viva.
descobri o corpo para habitar a alma.
animus - anima.
matter lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll
pattern .................................................................................................
e eu sempre vou embora.
a ubiquidade é uma mobilidade instantânea
é só você pensar em mim.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Per tutti

sábado, 5 de dezembro de 2009

Translucent

Just to remember myself that I love the word "translucent".
In french and in portuguese also:

"translucide" and "translúcido"

And I love the objects that are translucent.

Translucent skin
Translucent body

The jellyfishes are translucent (they are one of my favourite animals)

My thoughts are translucent tonight.

The music of Arvo Pärt is translucent.

and that's enough light for now.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ode à laringe

Horsy

Daddy daddy

I've heard you

when you've not said a word

Daddy daddy
you were there in the dark

I was there
and you didn't see me

I've never really felt I could be close to you



Are you feeling cold?
Me too



You could have said




DAUGHTER!
GO GET A BEER!



Daddy daddy
you were not very kind

Your joy was not my joy

Maybe I didn't understand you
But you surely didn't understand me

You didn't hear me
You don't hear me

I was just trying to touch you
but I was so afraid

How did I get there?
How did I get here?

Daddy daddy
it is good to know you are somewhere

And I'm hoping
I can still try to touch you

Once you've complained
I didn't go visit you in the prison

I didn't know you could care
if I was there

You never told me
You never hold me



THIS HOUSE IS MINE!


But you never came back home
And I've heard you
saying so many hurting things

I wish I can heal from it
and not to be afraid to ask you

Why, Daddy daddy?
Do you ever loved me?
Why, Daddy daddy?

I also know how to cry
I also learned how to scream

It happens
It happens

Hey Daddy!
I made some drawings... Do you wanna see it?

It's a horsy
And it's a larynx

I know you don't see well
Me neither

I imagine
An image

I see better with my mind
I think better with my skin

Yes, Daddy daddy
This is my first letter to you
from the future