7.30.2010

Ultimamente, mais perto, uns dias atrás

O mont-royal como uma têta verde no meio da cidade.
O ar morno é um suspiro misturado ao canto das cigarras.
Uma multidão de novas progenitoras passeia a sua prole.

Ela estava exausta, e mesmo assim subiu a montanha para contemplar o lago escondido do outro lado.

Uma pipa vermelha, solitária e lenta, sonhava que era uma arraia celeste.

Um murmurar multilingue percorreu o meio da tarde por um segundo, e os pássaros que estavam na grama levantaram vôo em direção às águas.

Ela via outros gramados ao longe, fileiras de folhas, alinhados horizontalmente. Capturava o vento em garrafas mais ou menos vazias, produzindo uma miríade de sons fláuticos.

A atmosfera difusa do verão faz tudo parecer intemporal. É uma alegria que se esquece de dizer-se passageira.

E ainda ouvia as folhas sacudidas pelo vento, no invisível oceano aéreo, e as realidades paralelas de todos os seres.

Não sabia por que alguém ainda insistia em categorizar e classificar os sonhos.

Caminhava segura até uma idade bem avançada. Até o momento de se deitar para sempre.

Naquela tarde, o menino encontrara um bilhete de cem.

Ela se vestira de rosa. ( Menina, comeste todos os chocolates! )

Um sábio desconhecido lhe emprestara sua cadela por alguns minutos.

Saltitante preta e branca, bella, olhos caramelo, atenta esperava seu mestre.
* eu a chamo "cachorrinha"

E pensei na historia que a minha mãe me contou, sobre como ela se despediu do Astor, nosso cão familial por mais de quinze anos. Fiquei comovida quando ela me disse que ela o carregou no colo, que ela sentiu o peso de todos os seus músculos e ossos caninos antigos, que ela o beijara a fronte, e se despedira com um 'descanse em paz, meu querido.".