9.08.2010

Domingo

     Domingo. Se eu tivesse todo o tempo do mundo, eu faria exatamente o que estou fazendo agora. Estou construindo meu tempo debaixo do sol.
     Às vezes fico pensando em gramática, outras, observo as nuvens, ou observo as pessoas que observam as nuvens.
     Se todos os símbolos estivessem ao contrário por um instante, muitas decisões seriam acertadas por erro. Como acertar se a gente erra?
     Hoje eu decido continuar no fluxo. Não importa se eu diga algo certo ou errado. De toda maneira, estou escrevendo na minha língua secreta.
     Eu gosto muito de fazer listas, colocar palavras lado a lado, ou embaixo umas das outras. Reagrupar. Isto é, organizar. Mas também comparar, deixar uma idéia parir uma outra, contar a historia da transformação dos sons e das formas, mostrar a trajetória da matéria em decomposição ou em agenciamento.
     Urgências, emergências...
     Existe um desejo quando alguém toma uma direção.
     O que é que eu vou encontrar quando decido tomar um rumo? Ou um rumor?
     Um rumor é uma idéia que viaja por caminhos clandestinos. Clandestino. Destino do clã?
     As pontas, as superfícies, as profundezas.
     Minha coluna que se contorce no esforço de colocar minhas emoções em palavras. A dor que é passageira quando eu deixo a emoção me atravessar sem me dominar por completo. O limite entre a sanidade e a loucura, entre a lucidez e a "rêverie".
     E os pássaros continuam a cruzar os céus numa diagonal.