E um dia ela quisera escrever um livro de receitas. E as melhores receitas eram indicações de posições no tempo e no espaço.
E toda a variedade de cores, sabores e texturas desfilava pela sua mente. Todas essas criaturas paridas pela terra. Da escuridão húmida dos grãos telúricos, minerais tramavam (faziam um complô), se aglomeravam em torno de uma semente.
Ou seria a semente que convocava os minerais presentes no solo para nutrir as suas potenciais cores?
E as raízes comestíveis sonhavam um dia participar dos olhos de um roedor ou quem sabe de um mamífero.
As cadeias alimentares que faziam pensar às múltiplas realidades que fazem os humanos sonharem.
Como a semente possui toda essa informação para se desenvolver numa direção determinada? É o destino dos vegetais? Eu gosto de pensar que essas historias são as historias dos desejos vegetais, essas atrações iônicas...